O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história. O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais... mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem. 2007 foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões.
Normal! Às vezes se espera demais das pessoas.
Normal! Grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor machucou.
Normal! 2008 não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí?
Fazer o quê?
Acabar com seu dia?
Com seu bom humor?
Com sua esperança?
O que eu desejo para todos nós é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado.
Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte.
Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3, a dos amigos.
Ou mude de classe, transforme-o em colega.
Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou?
Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro: CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.
Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano.
Não adianta lutar contra isso.
Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.
quinta-feira, dezembro 31, 2009
quarta-feira, dezembro 30, 2009
Onde está a sua estrela
A sensação é sempre a mesma. O ano passou tão rápido. Parece que o tempo anda cada vez mais acelerado. O tempo que sonhamos para nossas realizações futuras parece estar longe e lento. Enquanto isso o tempo vivido parece tão pequeno diante das marcas que ficaram na nossa alma e que estão estampadas em nosso rosto.
Fim de ano.
Natal.
Ano Novo.
Tempo de Reflexão.
Ao menos agora podemos refletir inevitavelmente sobre ele, o tempo. Mais alguns dias e o calendário vai mudar, marcando uma nova volta dada em torno do sol. Viajamos pelo cosmos todos os dias, e muitas vezes mais do que os pés presos ao chão, nosso olhar também não se aventurou na investigação da paisagem celeste. O trajeto se repete a bilhões de anos num universo em constante mudança que nos trouxe e nos levará para algum outro lugar. A trajetória da terra, nave mãe, e dos outros astros continua a mesma. Ainda assim temos o mínimo de conhecimento para entender com clareza para onde estamos indo e por quê.
No entanto, somos portadores de um significado que transcende a ordem cósmica que se sustenta no caos de mais de 100 bilhões de galáxias. Como pontos infinitamente diminutos diante do gigantismo dos corpos celestes, adquirimos grandeza a partir do significado que podemos dar a nossa existência. Por uma força estranha que não sabemos explicar direito, somos parte de tudo que está no ar. Nos sustentamos de maneira mágica.
Se não entendemos quase nada o que nos faz acreditar e continuar? O que faz você acordar do sono para o sonho? Onde está sua razão de viver e buscar respostas?
Cada um pode achar a sua estrela guia no lugar onde está. Olhando para o infinito azul do céu ou do mar, na corrente elétrica que conecta cada olhar, e principalmente, nas profundezas de seu ser, há uma sua estrela a te guiar. Ela pode ter o nome que você quiser dar, Jesus, Buda, Alá.
Esse é o momento de trazer para a superfície da sua mente a memória divina que faz tudo ser presente. Que faz de uma vida inteira, simplesmente um instante onde se realiza a vida de todas as formas, sem conflitos. Em verdadeira plenitude e paz...
Este é o momento de entender que há um propósito maior, e que cada um de nós faz parte dessa grandeza. Assim podemos deixar de ser o fragmento de matéria biológica para ser parte da energia que harmoniza tudo. Da célula mais primitiva e necessária à força que sustenta o sistema solar.
Diante dessa perspectiva, que você encontre o melhor significado para suas derrotas e vitórias, tristezas e alegrias, seu sofrimento e sua felicidade. E inclua na existência o propósito que integrará você a freqüência do bem maior: a magia de viver e ser parte de tudo.
Um 2010 pleno!
Fim de ano.
Natal.
Ano Novo.
Tempo de Reflexão.
Ao menos agora podemos refletir inevitavelmente sobre ele, o tempo. Mais alguns dias e o calendário vai mudar, marcando uma nova volta dada em torno do sol. Viajamos pelo cosmos todos os dias, e muitas vezes mais do que os pés presos ao chão, nosso olhar também não se aventurou na investigação da paisagem celeste. O trajeto se repete a bilhões de anos num universo em constante mudança que nos trouxe e nos levará para algum outro lugar. A trajetória da terra, nave mãe, e dos outros astros continua a mesma. Ainda assim temos o mínimo de conhecimento para entender com clareza para onde estamos indo e por quê.
No entanto, somos portadores de um significado que transcende a ordem cósmica que se sustenta no caos de mais de 100 bilhões de galáxias. Como pontos infinitamente diminutos diante do gigantismo dos corpos celestes, adquirimos grandeza a partir do significado que podemos dar a nossa existência. Por uma força estranha que não sabemos explicar direito, somos parte de tudo que está no ar. Nos sustentamos de maneira mágica.
Se não entendemos quase nada o que nos faz acreditar e continuar? O que faz você acordar do sono para o sonho? Onde está sua razão de viver e buscar respostas?
Cada um pode achar a sua estrela guia no lugar onde está. Olhando para o infinito azul do céu ou do mar, na corrente elétrica que conecta cada olhar, e principalmente, nas profundezas de seu ser, há uma sua estrela a te guiar. Ela pode ter o nome que você quiser dar, Jesus, Buda, Alá.
Esse é o momento de trazer para a superfície da sua mente a memória divina que faz tudo ser presente. Que faz de uma vida inteira, simplesmente um instante onde se realiza a vida de todas as formas, sem conflitos. Em verdadeira plenitude e paz...
Este é o momento de entender que há um propósito maior, e que cada um de nós faz parte dessa grandeza. Assim podemos deixar de ser o fragmento de matéria biológica para ser parte da energia que harmoniza tudo. Da célula mais primitiva e necessária à força que sustenta o sistema solar.
Diante dessa perspectiva, que você encontre o melhor significado para suas derrotas e vitórias, tristezas e alegrias, seu sofrimento e sua felicidade. E inclua na existência o propósito que integrará você a freqüência do bem maior: a magia de viver e ser parte de tudo.
Um 2010 pleno!
segunda-feira, dezembro 28, 2009
Isso vai passar
A tradição ‘sufi’ conta a história de um rei que vivia cercado de sábios. Certa manhã, enquanto conversavam, o rei mostrava-se mais calado que de costume.
“O que passa com Vossa Majestade?”, perguntou um dos sábios.
“Estou confuso”, respondeu o rei. “Às vezes, me deixo dominar pela tristeza, sinto-me impotente diante de minhas tarefas. Outras vezes, fico embriagado com o poder que tenho. Gostaria de um talismã que me ajudasse a estar em paz comigo”.
Os sábios – surpresos por tal pedido – ficaram longos meses confabulando. No final, foram até o rei com um presente.
“Gravamos palavras mágicas no talismã. Leia-as em voz alta, sempre que estiver muito confiante, ou triste demais”, disseram.
O rei olhou o objeto que havia pedido. Era um simples anel de ouro e prata, mas com uma inscrição: “Isso vai passar”.
“O que passa com Vossa Majestade?”, perguntou um dos sábios.
“Estou confuso”, respondeu o rei. “Às vezes, me deixo dominar pela tristeza, sinto-me impotente diante de minhas tarefas. Outras vezes, fico embriagado com o poder que tenho. Gostaria de um talismã que me ajudasse a estar em paz comigo”.
Os sábios – surpresos por tal pedido – ficaram longos meses confabulando. No final, foram até o rei com um presente.
“Gravamos palavras mágicas no talismã. Leia-as em voz alta, sempre que estiver muito confiante, ou triste demais”, disseram.
O rei olhou o objeto que havia pedido. Era um simples anel de ouro e prata, mas com uma inscrição: “Isso vai passar”.
domingo, dezembro 27, 2009
O peso da pluma
Às vezes nos irritamos com reações exageradas de nosso próximo. Fazemos um pequeno comentário, uma brincadeira – e eis que a pessoa chora, ou torna-se agressiva demais conosco.
Uma lenda do deserto conta a história de um homem que ia mudar-se de Oásis, e começou a carregar seu camelo. Colocou os tapetes, os utensílios de cozinha, os baús de roupas – e o camelo aguentava tudo.
Quando ia saindo lembrou-se de uma linda pena azul que seu pai lhe tinha presenteado. Resolveu pegá-la, e a colocou em cima do camelo. Neste momento, o animal arriou com o peso, e morreu.
“Meu camelo não aguentou o peso de uma pena”, deve ter pensado o homem.
Às vezes julgamos da mesma maneira o nosso próximo – sem entender que nossa brincadeira pode ter sido a gota que transbordou a taça do sofrimento.
Uma lenda do deserto conta a história de um homem que ia mudar-se de Oásis, e começou a carregar seu camelo. Colocou os tapetes, os utensílios de cozinha, os baús de roupas – e o camelo aguentava tudo.
Quando ia saindo lembrou-se de uma linda pena azul que seu pai lhe tinha presenteado. Resolveu pegá-la, e a colocou em cima do camelo. Neste momento, o animal arriou com o peso, e morreu.
“Meu camelo não aguentou o peso de uma pena”, deve ter pensado o homem.
Às vezes julgamos da mesma maneira o nosso próximo – sem entender que nossa brincadeira pode ter sido a gota que transbordou a taça do sofrimento.
sábado, dezembro 26, 2009
Quem ainda deseja esta nota?
Cassan Said Amer conta a história de um palestrante que começou um seminário segurando uma nota de 20 dólares e perguntando:
- Quem deseja essa nota de 20 dólares?
Várias mãos se levantaram, mas o palestrante pediu:
- Antes de entregá-la, preciso fazer algo.
Amassou-a com toda fúria, e insistiu:
- Quem ainda quer esta nota?
As mãos continuaram levantadas.
- E se eu fizer isso?
Atirou-a contra a parede, deixou-a cair no chão, ofendeu-a, pisoteou-a e mais uma vez mostrou a nota – agora imunda e amassada. Repetiu a pergunta, e as mãos continuaram levantadas.
- Vocês não podem jamais esquecer esta cena – comentou o palestrante.
– Não importa o que eu faça com este dinheiro, ele continua sendo uma nota de 20 dólares. Muitas vezes em nossas vidas somos amassados, pisados, maltratados, ofendidos; entretanto, apesar disso, ainda valemos a mesma coisa.
- Quem deseja essa nota de 20 dólares?
Várias mãos se levantaram, mas o palestrante pediu:
- Antes de entregá-la, preciso fazer algo.
Amassou-a com toda fúria, e insistiu:
- Quem ainda quer esta nota?
As mãos continuaram levantadas.
- E se eu fizer isso?
Atirou-a contra a parede, deixou-a cair no chão, ofendeu-a, pisoteou-a e mais uma vez mostrou a nota – agora imunda e amassada. Repetiu a pergunta, e as mãos continuaram levantadas.
- Vocês não podem jamais esquecer esta cena – comentou o palestrante.
– Não importa o que eu faça com este dinheiro, ele continua sendo uma nota de 20 dólares. Muitas vezes em nossas vidas somos amassados, pisados, maltratados, ofendidos; entretanto, apesar disso, ainda valemos a mesma coisa.
sexta-feira, dezembro 25, 2009
Nasrudin e o ovo
Certa manhã, Nasrudin – o grande místico sufi que sempre fingia ser louco – colocou um ovo embrulhado em um lenço, foi para o meio da praça de sua cidade, e chamou aqueles que estavam ali.
- Hoje teremos um importante concurso! – disse – Quem descobrir o que está embrulhado neste lenço, eu dou de presente o ovo que está dentro!
As pessoas se olharam, intrigadas, e responderam:
- Como podemos saber? Ninguém aqui é capaz de fazer adivinhações!
Nasrudin insistiu:
- O que está neste lenço tem um centro que é amarelo como uma gema, cercado de um líquido da cor da clara, que por sua vez está contido dentro de uma casca que quebra facilmente. É um símbolo de fertilidade, e nos lembra os pássaros que voam para seus ninhos. Então, quem pode me dizer o que está escondido?
Todos os habitantes pensavam que Nasrudin tinha em suas mãos um ovo, mas a resposta era tão óbvia, que ninguém resolveu passar vergonha diante dos outros. E se não fosse um ovo, mas algo muito importante, produto da fértil imaginação mística dos sufis? Um centro amarelo podia significar algo do sol, o líquido ao redor talvez fosse um preparado alquímico.
Não, aquele louco estava querendo fazer alguém de ridículo.
Nasrudin perguntou mais duas vezes, e ninguém se arriscou a dizer algo impróprio. Então ele abriu o lenço e mostrou a todos o ovo.
- Todos vocês sabiam a resposta – afirmou. – E ninguém ousou traduzí-la em palavras.
“É assim a vida daqueles que não tem coragem de arriscar: as soluções nos são dadas generosamente por Deus, mas estas pessoas sempre procuram explicações mais complicadas, e terminam não fazendo nada”.
- Hoje teremos um importante concurso! – disse – Quem descobrir o que está embrulhado neste lenço, eu dou de presente o ovo que está dentro!
As pessoas se olharam, intrigadas, e responderam:
- Como podemos saber? Ninguém aqui é capaz de fazer adivinhações!
Nasrudin insistiu:
- O que está neste lenço tem um centro que é amarelo como uma gema, cercado de um líquido da cor da clara, que por sua vez está contido dentro de uma casca que quebra facilmente. É um símbolo de fertilidade, e nos lembra os pássaros que voam para seus ninhos. Então, quem pode me dizer o que está escondido?
Todos os habitantes pensavam que Nasrudin tinha em suas mãos um ovo, mas a resposta era tão óbvia, que ninguém resolveu passar vergonha diante dos outros. E se não fosse um ovo, mas algo muito importante, produto da fértil imaginação mística dos sufis? Um centro amarelo podia significar algo do sol, o líquido ao redor talvez fosse um preparado alquímico.
Não, aquele louco estava querendo fazer alguém de ridículo.
Nasrudin perguntou mais duas vezes, e ninguém se arriscou a dizer algo impróprio. Então ele abriu o lenço e mostrou a todos o ovo.
- Todos vocês sabiam a resposta – afirmou. – E ninguém ousou traduzí-la em palavras.
“É assim a vida daqueles que não tem coragem de arriscar: as soluções nos são dadas generosamente por Deus, mas estas pessoas sempre procuram explicações mais complicadas, e terminam não fazendo nada”.
domingo, dezembro 20, 2009
A tradição judaica conta a história de um pastor que sempre dizia ao Senhor: “ Mestre do Universo, se tiveres um rebanho, eu o guardarei de graça, pois Te amo”.
Certo dia, um sábio ouviu a estranha prece. Preocupado com uma ofensa a Deus, ensinou ao pastor as rezas que conhecia.
Mas, assim que se separaram, o pastor esqueceu as orações; entretanto, com medo de ofender a Deus pedindo para guardar rebanhos, resolveu abandonar por completo qualquer conversa com Ele.
Naquela mesma noite o sábio teve um sonho: “Quem guardará os rebanhos do Senhor?”, dizia um anjo. “O pastor rezava com seu coração, e você ensinou-o a rezar com a boca”.
No dia seguinte, o sábio voltou ao campo, pediu perdão ao pastor, e incluiu a Prece do Rebanho em seu livro de salmos.
Certo dia, um sábio ouviu a estranha prece. Preocupado com uma ofensa a Deus, ensinou ao pastor as rezas que conhecia.
Mas, assim que se separaram, o pastor esqueceu as orações; entretanto, com medo de ofender a Deus pedindo para guardar rebanhos, resolveu abandonar por completo qualquer conversa com Ele.
Naquela mesma noite o sábio teve um sonho: “Quem guardará os rebanhos do Senhor?”, dizia um anjo. “O pastor rezava com seu coração, e você ensinou-o a rezar com a boca”.
No dia seguinte, o sábio voltou ao campo, pediu perdão ao pastor, e incluiu a Prece do Rebanho em seu livro de salmos.
quinta-feira, dezembro 17, 2009
Ensinando o cavalo a voar
Um velho rei da Índia condenou um homem à forca.
Assim que terminou o julgamento, o condenado pediu:
“Vossa Majestade é um homem sábio, e curioso com tudo que os seus súditos conseguem fazer. Respeita os gurus, os sábios, os encantadores de serpentes, os faquires. Pois bem: quando eu era criança, meu avô me transmitiu a técnica de fazer um cavalo branco voar. Não existe mais ninguém neste reino que saiba isto, de modo que minha vida deve ser poupada”.
O rei imediatamente mandou trazer um cavalo branco.
“Preciso ficar dois anos com este animal”, disse o condenado.
“Você terá mais dois anos”, respondeu o rei, a esta altura meio desconfiado.
“Mas se este cavalo não aprender a voar, será enforcado”.
O homem saiu dali com o cavalo, feliz da vida. Ao chegar em casa, encontrou toda a sua família em prantos.
“Você está louco?”, gritavam todos. “Desde quando alguém desta casa sabe como fazer um cavalo voar?”
“Não se preocupem, porque a preocupação nunca ajudou ninguém a resolver seus problemas”, respondeu ele. “E eu não tenho nada a perder, será que vocês não entendem? Primeiro, nunca alguém tentou ensinar um cavalo a voar, e pode ser que ele aprenda. Segundo, o rei está muito velho, e pode morrer neste dois anos. Terceiro, o animal também pode morrer, e eu conseguirei mais dois anos para treinar um novo cavalo. Isso sem contar a possibilidade de revoluções, golpes de estado, anistias gerais. Finalmente, se tudo continuar como está, eu ganhei dois anos de vida, onde posso fazer tudo o que tenho vontade: vocês acham pouco?”
Assim que terminou o julgamento, o condenado pediu:
“Vossa Majestade é um homem sábio, e curioso com tudo que os seus súditos conseguem fazer. Respeita os gurus, os sábios, os encantadores de serpentes, os faquires. Pois bem: quando eu era criança, meu avô me transmitiu a técnica de fazer um cavalo branco voar. Não existe mais ninguém neste reino que saiba isto, de modo que minha vida deve ser poupada”.
O rei imediatamente mandou trazer um cavalo branco.
“Preciso ficar dois anos com este animal”, disse o condenado.
“Você terá mais dois anos”, respondeu o rei, a esta altura meio desconfiado.
“Mas se este cavalo não aprender a voar, será enforcado”.
O homem saiu dali com o cavalo, feliz da vida. Ao chegar em casa, encontrou toda a sua família em prantos.
“Você está louco?”, gritavam todos. “Desde quando alguém desta casa sabe como fazer um cavalo voar?”
“Não se preocupem, porque a preocupação nunca ajudou ninguém a resolver seus problemas”, respondeu ele. “E eu não tenho nada a perder, será que vocês não entendem? Primeiro, nunca alguém tentou ensinar um cavalo a voar, e pode ser que ele aprenda. Segundo, o rei está muito velho, e pode morrer neste dois anos. Terceiro, o animal também pode morrer, e eu conseguirei mais dois anos para treinar um novo cavalo. Isso sem contar a possibilidade de revoluções, golpes de estado, anistias gerais. Finalmente, se tudo continuar como está, eu ganhei dois anos de vida, onde posso fazer tudo o que tenho vontade: vocês acham pouco?”
quarta-feira, dezembro 16, 2009
O Melro toma decisão
Um velho melro encontrou um miolo de pão e saiu voando com ele. Ao ver isso, os pássaros mais jovens correram para atacá-lo.
Diante do combate iminente, o melro largou o miolo de pão na boca de uma serpente, pensando consigo mesmo:
“Quando se está velho, a gente vê a vida de outra maneira: perdi meu alimento, é verdade, mas posso encontrar outro miolo de pão amanhã”.
“Entretanto, se insistisse em carregá-lo comigo, eu iria deflagrar uma guerra no céu; o vencedor passaria a ser invejado, os outros se armariam para combatê-lo, o ódio encheria o coração dos pássaros, e tal situação podia durar por muito tempo”.
“A sabedoria da velhice é essa: saber trocar as vitórias imediatas pelas conquistas duradouras”.
Diante do combate iminente, o melro largou o miolo de pão na boca de uma serpente, pensando consigo mesmo:
“Quando se está velho, a gente vê a vida de outra maneira: perdi meu alimento, é verdade, mas posso encontrar outro miolo de pão amanhã”.
“Entretanto, se insistisse em carregá-lo comigo, eu iria deflagrar uma guerra no céu; o vencedor passaria a ser invejado, os outros se armariam para combatê-lo, o ódio encheria o coração dos pássaros, e tal situação podia durar por muito tempo”.
“A sabedoria da velhice é essa: saber trocar as vitórias imediatas pelas conquistas duradouras”.
terça-feira, dezembro 15, 2009
O momento da aurora
Um rabino reuniu seus alunos e perguntou:
- Como é que sabemos o exato momento em que a noite acaba e o dia começa?
- Quando, a distância, somos capazes de distinguir uma ovelha de um cachorro – disse um menino.
O rabino não ficou contente com a resposta.
- Na verdade – disse outro aluno – sabemos que já é dia quando podemos distinguir, à distância, uma oliveira de uma figueira.
- Não é uma boa definição.
- Qual a resposta, então? – perguntaram os garotos.
E o rabino disse:
- Quando um estrangeiro se aproxima, e nós o confundimos com o nosso irmão, este é o momento em que a noite acabou e o dia começa.
- Como é que sabemos o exato momento em que a noite acaba e o dia começa?
- Quando, a distância, somos capazes de distinguir uma ovelha de um cachorro – disse um menino.
O rabino não ficou contente com a resposta.
- Na verdade – disse outro aluno – sabemos que já é dia quando podemos distinguir, à distância, uma oliveira de uma figueira.
- Não é uma boa definição.
- Qual a resposta, então? – perguntaram os garotos.
E o rabino disse:
- Quando um estrangeiro se aproxima, e nós o confundimos com o nosso irmão, este é o momento em que a noite acabou e o dia começa.
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